Valentim R. Fagim

20/10/2010

Reintegrametro

Filed under: Colaborações — valentimrfagim @ 12:57 PM

A seguir aparecem várias afirmaçons para medir o teu grau de reintegracionismo. Marca com 1, 2, 3 cada atendendo a tua concordáncia com elas.

1 – Nom concordas
2 – Concordas mais ou menos
3- Concordas.

Quando finalizares, soma os pontos obtidos e repara na tabela que aparece no final.

Na Idade Média o latim fragmentou-se em várias línguas, umha delas localizada no noroeste da península Ibérica num território que incluía a Galiza e o norte da atual República de Portugal. Daí avançou para sul. 1 2 3

Esta língua sofreu a finais da Idade Média umha sorte díspar. O território a norte do Minho ficou inserido no Reino de Castela, e a língua dos seus habitantes passou a ser exclusivamente oral. Postos de relevo foram ocupados por castelhanos passando a ser a língua deles sinónimo de poder. 1 2 3

O território a sul do Minho constitui-se em Reino e a língua dos seus habitantes era falada e também escrita abrangendo todas as funçons sociais que podia ter umha língua. Era usada por todos os estamentos sociais. 1 2 3

No território a norte do Minho, sendo o castelhano a língua do poder, começou a dar-se um processo de mistura das falas dos galegos (as) que provocava que a cada nova geraçom o idioma se fosse castelhanizando. 1 2 3

No território a sul do Minho, ao ser a língua que falavam as elites e o resto da populaçom a mesma, conservou a sua identidade. 1 2 3

Quando a finais do s.XIX começa a ser escrita a nossa língua no nosso país, a escolha da ortografia castelhana fai-se porque era a único código em que fôrom alfabetizados e desconheciam a nossa rica história medieval. 1 2 3

Perante o estado de castelhanizaçom da variedade galega há três atitudes possíveis: a) Que alcance o seu estádio final e se complete, b) Enfrentá-lo superficialmente, c) Enfrentá-lo radicalmente e ir portanto às suas raízes. 1 2 3

A extensom da nossa língua nom se limita ao Reino de Espanha mas é oficial em 4 continentes e 9 países. 1 2 3

Os(as) galego-falantes na hora de lerem um livro, usarem um programa informático ou brincarem com um jogo de mesa é preferível, caso nom exista umha versom em galego oficial, utilizarem a versom em português 1 2 3

O português de Portugal e do Brasil devia ser difundido na Galiza porque é a nossa vantagem competitiva no contexto europeu e mundial. 1 2 3

Menos de 15 pontos (–)
Gostas da soidade, está claro. Bom, por momentos é precisa mas viver sempre só nom dá muito jeito. Restar é a operaçom matemática menos atrativa. Abre o coraçom e deixa que a brisa sacuda o teu corpo. Em companhia podemos desenvolver muito mais as nossas potencialidades. É certo que ao princípio cria algumhas inseguranças mas se persistires, os fruitos logo chegarám.

Entre 16 e 22 pontos (+)
Estás pertinho. Restam algumhas dúvidas que a roçadura e o amor conseguirám dissolver. Ordena os teus sentimentos e marca as tuas prioridades. Estar sempre a se queixar deve ficar para atrás. Presume do teu potencial que é muito. Gostas de somar, vê-se bem.

Entre 23 e 30 pontos (x)
Estás na boa! Aquilo de que a nossa língua nom cruza a fronteira do Reino ou que a coitada serve para o que serve, nom vai contigo. Tu tés umha rede de comunicaçom muito ampla. Nom te apetece esperar a que se fagam as cousas, vás junto delas e apanhá-las. A tua operaçom matemática favorita é multiplicar.

(Apareceu no fanzine Festi-Agal, editado pola agal em julho de 2010)

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01/09/2010

Umha superlíngua… para quem a quiger.

Filed under: Colaborações — valentimrfagim @ 12:19 PM

Calcula-se que existam 4.000 línguas no mundo, cobrindo um amplo abano entre a língua franca em que se tornou o inglês até códigos de pequenas comunidades com dezenas de falantes. Todas elas tenhem um poder, o de ser a língua própria de um coletivo, é isso o que as torna imprescindíveis e o que lhes dá valor.

É comum, no entanto, ouvir e ler discursos emanados de Madri no sentido de valorizar as línguas em funçom do número de falantes. Neste sentido haveria superlínguas e línguas normais e seria um absurdo que comunidades e pessoas renunciassem à primeira (o castelhano) para ficarem com umha das segundas (galego, catalám, basco…).

Aqui seria pertinente fazer a estas pessoas umha pergunta: e se o castelhano tivesse umha sorte histórica diferente? E se ficasse reduzido à sua extensom original? Enfim, se nom se saísse de Castela… os seus inflamados valedores deixariam de a falar, de a escrever, de a promover? Tenho a certeza de que nom.

Perguntemo-nos também nós: qual foi e qual é a nossa história? O galego nasceu no extremo noroeste da Península Ibérica no sul da Europa. Foi umha das primeiras variedades do latim que passou à escrita. Do seu berço avançou para sul, num processo paralelo com o castelhano e o catalám. E da Europa, cruzando os oceanos, chegou a África, Ásia e América onde ainda reside. Hoje podemos ver no youtube pessoas com os mais variados traços raciais falarem a mesma língua que as nossas avós e os nossos avôs.

Se tudo isto nom tivesse acontecido, o galego nom teria menos valor porque seria a língua criada pola nossa comunidade, polo nosso país mas o certo é que sucedeu. A nossa língua nom é apenas nossa e compartilhamo-la com outros países, com outras sociedades. É umha super-língua.

Ora, todo o Super acarreta a sua kryptonita. Na Galiza os efeitos do mineral verde evidenciam-se de duas formas. Por um lado, um governo que foca a nossa língua como um problema e que investe as suas energias em esvaziá-la de valor para a tornar inútil. Por outro lado, umha visom da língua como sendo minoritária, isolada das variantes que som oficiais nos países onde som faladas com toda a riqueza que isso implica.

Para além de escrever como escrevamos, de falar como falemos, de pensar o que pensemos sobre a sua identidade, o certo é que possuímos umha super-língua. Agora o que se trata é de ser consequentes com este facto… e desfrutá-la.
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O artigo foi publicado no fanzine-jornal Fest-agal, elaborada pola Agal para o Festigal 2010.

20/07/2010

Uma lesma no percurso

Filed under: Colaborações — valentimrfagim @ 5:58 PM

Era umha excursom polo Gerês com mais oito pessoas, todas galego-falantes, algumhas neo, outras paleo, algumhas urbanas, outras rurais ainda que nom houvesse umha correspondência perfeita entre neo/urbano e paleo/rural. A dado momento, um dos urbanos, também neo, comenta-me: olha, sabias que em português babosa se diz lesma? Quinze minutos depois, caminhando à par de umha paleo rural, esta comenta: que nojo me dam as lesmas! Complete-se esta fotografia com palavras como autocarro, grávida, percurso ou cantil, todas elas saídas de bocas urbanas e neos.

Entre os muitos subtemas que cria o tema LÍNGUA está o debate em volta do galego genuíno. Há quem acha, até, que existe umha Atlántida onde a nossa língua permanece pura e cristalina (ainda nom foi encontrada, mas nom desesperemos). Na verdade, a questom chama-se COMUNICAÇOM. Se perguntássemos a alguém onde se fala um galego mais genuíno, se na rua García Barbón de Vigo ou numha aldeia de Vilar de Santos, a resposta seria unánime. Ora, pergunta puxa de pergunta: e por que é assim? A resposta é “pola comunidade”.

Na aldeia de Vilar de Santos existe umha comunidade que comunica entre si, na nossa língua, a maior parte do tempo. Umha galego-falante na rua García Barbón carece disso e, caso decida na mesma comunicar em galego, vai que ter fazer numerosas renúncias para ser entendida, para comunicar. Vai ter de renunciar a palavras que nom existam em castelhano ou podam vir a causar confusom (morno, balor, tornozelo, pegar) e usar em seu lugar outras (templado, mofo/moo, tobillo, coller).

Em Vilar de Santos é possível que as palavras da primeira lista estejam em circulaçom porque existe comunidade. Podem usar essas palavras à vontade porque vam ser entendidas. É por esta razom que ali possuem um galego mais genuíno. Ora, ainda existem lugares onde a nossa língua tem um formato mais soberano a respeito do castelhano ainda que nem sempre os exploradores da Atlántida os tenham nos seus mapas: Portugal e o Brasil.

Por quê? Porque nesses lugares a nossa língua tivo o maior êxito social que pode ter umha variedade linguística: ser a língua nacional, aquela que usam todas as classes sociais, nomeadamente as elites, e que vem a ser identificada como sendo a própria. Nesses lugares nenhum governo achou umha boa ideia que a língua ocupasse 33% das aulas ou que dominá-la nom seja um requisito para tirar umha vaga de funcionário(a) de serviço público. Em definitivo, nesses lugares, a nossa língua nom é um problema mas um percurso.

Julho, 2010

19/05/2010

+

Filed under: Colaborações — valentimrfagim @ 5:18 PM

No nosso imaginário, matemática e língua som entidades contrapostas. De facto, já logo no bacharelado fam-nos optar por ciências ou letras. Mesmo assim, neste artigo vamos tentar que ambos os conceitos dancem. Começaremos com a quantidade de falantes da nossa língua na Galiza. Desde há várias décadas assistimos a umha contínua, o processo de substituiçom polo castelhano está muito avançado e, nom fosse o vigor e a teimosia de entidades e pessoas de todo o tipo, hoje a nossa situaçom seria irreversível. Fôssemos o povo eleito por Jeová e podíamos até ficar descansados porque sempre caberia começar de 0 mas segundo os dados que manejo nom fomos tocados polo dedo divino. Toca andar.

Para fazer frente a este processo de substituiçom tenhem-se colocado duas estratégias, a autonomista, que é a implementada nas instituiçons públicas e que afecta todas e todos e a luso-brasileira ou reintegracionista que é activada a partir da sociedade civil.

A estratégia luso-brasileira promove que tendo a fortuna de existirem duas variedades da nossa língua que tiveram êxito socialmente, as do Brasil e Portugal, o mais eficaz seria espelhar-se nelas e somar. A um nível prático trataria-se nom de traduzir e começar de 0 mas de importar os seus produtos (culturais, técnicos, simbólicos…) e interactuar com as suas sociedades.

É importante notar que, sigamos a estratégia que sigamos, o português implica umha + quando nom umha x. Há várias áreas onde isto acontece.

No ámbito da castelhanizaçom, mais profunda do que evidenciam os manuais escolares elaborados para os nossos miúdos, ajuda a reforçar estruturas gramaticais como o infinitivo flexionado ou o futuro de subjuntivo ou entidades lexicais como juros, orçamento ou auto-estrada, quer umhas quer as outras mui pouco presentes socialmente.

No ámbito da identidade, quer dizer, responder a pergunta: e quem fala a nossa língua?, os ganhos som também comuns. No campo cultural inclui os nossos produtores num sistema muito mais amplo como evidencia o projecto Cantos na Maré ou a projecçom do escritor Carlos Quiroga no Brasil. Pola sua parte, os consumidores teriam outros referentes musicais, literários ou cinematográficos daqueles emanados da Hispanofonia e que som omnipresentes na nossa sociedade. Uma fotografia da biblioteca ou a discoteca de um pessoa reintegracionista dam fé desta dinámica cultural onde, à par de produçons galegas, convivem outras brasileiras, portuguesas ou dalgum dos países africanos da área lusófona. Isto por nom falar das traduçons que ajudam a quebrar a dinámica em que fomos educados para vermos o mundo através dos óculos da língua estatal.

No ámbito da normalizaçom, há muitos campos onde a estratégia autonomista dificilmente vai conseguir chegar: material de quiosque, sites, traduçons técnicas, legendagem, software… Em muitos contextos como o nosso, o falante só pode pegar na versom na língua estatal. Nós temos escolha, a de outras variedades da nossa língua, a brasileira ou a portuguesa nomeadamente, que nos oferecem esse serviço sem necessidade de grandes investimentos públicos ou civis, que poderiam ser focalizados noutras áreas mais necessitados de reforço financeiro.

Como fruito de tudo isto, o estatuto social da nossa língua veria-se alterado em positivo e os falantes ganhariam em soberania a respeito da língua castelhana e os seus produtos a ǂ b. No campo do discurso podíamos apoderar-nos do bilinguismo e da utilidade tornando a Galiza o único país do mundo a ter como oficiais as duas línguas latinas mais faladas.

Seja como for, mesmo que somemos ambas as estratégias a+á, o ponto em que está a partida é mui incerto a+á<b. Assim sendo, numa posiçom de responsabilidade, devemos evitar a todo o custo atacar qualquer umha das estratégias porque isto só consegue criar ÷ frente a agentes que, para além de estarem unidos, tenhem ao seu favor a inércia sociológica, o mercado e um estado. Dividir é altamente irresponsável.

Pensemos o que pensarmos da estratégia luso-brasileira, está é responsável polo Portal Galego da Língua, o periódico Novas da Galiza, muitos dos locais sociais que agromam por todo o país e que ganham galego-falantes entre a juventude, o movimento ridiculista, imensa produçom intelectual em todos os campos, o e-Estraviz ou a AGLP +

Nom só, é umha estratégia que pode ser mais atractiva na hora de ganhar neo-falantes em cidades onde a nossa língua nom é usada entre as camadas mais jovens. Como se sabe, a presença da língua em certos ámbitos, e as cidades é um deles, multiplica. Pode abrir-lhes mais hipótese de trabalho, adquirir mais bens, dar a sua condiçom de galegos e de galegas + valor.

Atrás desta estratégia, como da autonomista, há pessoas de todas as classes, de todas as ideologias, de todas as sensibilidades, o que confere imensa riqueza às nossas acçons.

Para finalizar, um desejo. As pessoas que seguimos a estratégia luso-brasileira aspiramos a ser iguais que Galicia Bilingue ou que o presidente da RAG num aspecto chave. Sermos tratados da mesma forma perante as instituiçons, o que passa por nom sermos discriminados por viver a nossa língua como sendo extensa e útil. Enfim, quanto aos direitos civis, sermos =

Tempos Novos, abril 2010

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