Valentim R. Fagim

22/03/2011

Cem vezes zen

Filed under: Em 2011,Língua Nacional — valentimrfagim @ 9:01 PM

O budismo é umha tradiçom espiritual, do ponto de vista teológico, mui simples: a dor existe e tem umas causas. Até aqui nada de espetacular, a dizer verdade. Umha das causas da dor tem a ver com a identificaçom. Por exemplo: eu sou a língua galega. Portanto, qualquer ataque à língua galega é um ataque a MIM.

A identificaçom é uma das maiores responsáveis pola dor. Identificamo-nos com o país, com a associaçom, o partido, o clube de futebol, o género… E como os caminhos de rosas nom existem, mordem-nos os espinhos.

A chave, difícil de encontrar sem dúvida, é um equilíbrio entre a paixão que nos movimenta e a identificaçom que nos magoa. O meu desejo para o Novas neste seu número cem é que continue sendo um projeto zen, de todas e de ninguém.

Março, 2011

17/03/2011

Teste de seduçom

Filed under: Em 2011,Língua Nacional — valentimrfagim @ 12:39 PM

Imagina-te nos contextos comunicativos que aparecem a seguir e marca a frase com que te sentirias mais identificada:

Alguém defende o galego é o português serem línguas diferentes.

A) “És um regionalista”

B) “O galego e o português som a mesma língua por isto, isso e aquilo”

C) “Eu vivo a minha língua como sendo a mesma que a de portugueses e brasileiros”

Num debate na rede sobre um tema qualquer, alguém que defende a opçom A comete um erro linguístico.

A) “És um castrapeiro”

B) “Nom é X, é Y pola razom X”

C) “Eu penso que é melhor B porque…”

Umha pessoa galega que conheces lê Saramago e Paulo Coelho em castelhano.

A) “És umha alienada”

B) “É melhor ler sempre no original”

C) “Vou-te passar um texto em português para que vejas o fácil que é e o muito que sabes”

Num foro na rede alguém afirma: con el español me llega, para que quiero el gallego?

A) “És um colonizado”

B) “Eu com o galego arranjo-me bem.”

C) “Bom, eu na verdade sou mais feliz somando do que restando”

Marca agora com 1 ponto as respostas A), com 2 pontos as respostas B) e com três pontos as respostas C) e soma os pontos obtidos.

* Se tiveres entre 1 e 4 pontos, a língua para ti é umha forma de desabafo.
* Se tiveres entre 5 e 8 pontos, a língua em ti está racionalizada.
* Se tiveres entre 9 e 12 pontos, a língua em ti está naturalizada e és umha sedutora.

fevereiro 2011

16/02/2011

Teologia

Filed under: Em 2011,Língua Nacional — valentimrfagim @ 10:49 AM

Umha das maiores diferenças entre a sociedade medieval e o moderna tem aparentemente que ver com os dogmas de fé. Segundo passam os séculos, abandonamos a fé e escorregamos para a razom. Hoje, poucas pessoas alardeiam de serem dogmáticas, fica mal.

O que se leva atualmente é o ensaio-erro, experimentamos, primeiro com A, depois com B, se for preciso com C e escolhemos a soluçom mais eficaz.

No mundo da esquerda alardeia-se até de umha natureza profundamente científica. Suponho que a maioria das vezes será assim mas nem sempre. Ocorre-me agora o binómio escola/língua. Os dados som os que som e até som mui pouco simpáticos. O ensino público galego obtém pobres resultados entre os seus utilizadores no que diz respeito de usos e imagem do galego.

Aqui queria ver eu o pessoal do ensaio-erro porque, na verdade, existem outras hipóteses e as hipóteses som a alma da ciência.

Donibane Garazi é um concelho no País-Basco francês de 1.521 habitantes (que nom é muito, seja dito de passagem). Esta pequena povoaçom do estado jacobino tem umha ikastola (ensino privado) onde estudam a maioria das suas crianças e adolescentes. Alguém dirá, claro é que som bascos!, para entrar sem freio no terreno das naturezas essenciais, o volksgeist e da Santíssima Trindade. Como dizia Chomsky, para a TEOLOGIA os dados som irrelevantes.

O que som em Donibane Garazi é sociedade civil que, perante umha carência, em lugar de esperar ou confiar decide… resolver.

Janeiro, 2011

24/01/2011

Desculpa as gralhas

Filed under: Em 2010,Língua Nacional — valentimrfagim @ 11:18 AM

Umha das consequências de vivermos o mesmo sistema educativo com as mesmas programaçons (palavra, reconhecemos, pouco simpática) é que recebemos os mesmos guions. Guions de história, de economia, de política, de valores… e de língua, of course. Talvez tivéssemos a sorte de um docente transgressor, provavelmente nom mas, seja como for, o produto que nos vendêrom era: o galego é só dos galegos(as) e vale para o que vale.

Seja na adolescência, seja na maturidade, muitas pessoas tenhem descoberto que o tal guiom nom era assim mui verídico mas nem todas tenhem transformado esta descoberta da mesma forma.

Estám, por exemplo, os NON ESCRIBO PORQUE. Som pessoas que sentem algum tipo de culpabilidade (o cristianismo tem feito tanto mal) e ferve nelas a necessidade de nos darem explicaçons. É como quando um homem, com todos os -ismos da progressismo, afirma que vê pornografia para loguinho apontar que é por interesse antropológico (ainda sabendo que nom dá para acreditar).

Outra família som os DESCULPA AS GRALHAS. Estas pessoas já dérom o passo, levam uns meses a escrever mas diante de umha escrevedora experiente sentem certo embaraço. O que nom sabem é que quase todas escrevem muitíssimo melhor que um próprio na mesma altura vital, em grande medida porque a rede social dos reintegrantes cada vez é maior e tornou num ato, felizmente, cada vez menos heroico.

O que une ambas as famílias é que sabem, ou intuem, que a nossa língua transborda o guiom que nos desenharam no ensino secundário: nom é umha língua apenas para nós e apenas para certas cousas. O que

diferencia as NON ESCRIBO PORQUE e as DESCULPA AS GRALHAS é que estas últimas, ao mesmo tempo que escrevem, estám a redigir um novo GUIOM para Galiza.

Dezembro 2010

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