Valentim R. Fagim

17/04/2009

A outra cousa, borboleta

Filed under: Em 2007,Língua Nacional — valentimrfagim @ 12:05 AM

A pessoa autora desta frase não é um ser anónimo, numa conversa informal num café, ou a proprietária de um blogue pessoal. Polo contrário, é um quadro dirigente de um meio nacional galego, a escrever num outro meio de características similares; estamos em 2007 e este decalque do espanhol está longe de ser um caso isolado.

Muito se tem lamentado a respeito da sociedade galega, e do impaís que somos. Ora, apontar com o dedo para a labrega ou o pescador, como se costuma fazer, não deixa de ser um acto míope. Afinal, quem mexe ou pode mexer o caldo social são outras pessoas, quer elites consolidadas, quer aspirantes a.

A raça de “aspirantes a” é relativamente numerosa no nosso país. Caracteriza-se por viver numa fantasia, o que é lícito e até comum, mas o que já não é tão legítimo, é esperarem de nós que vivamos o seu devaneio.

A fantasia a que me estou a referir, é acharem que estão a oferecer à sociedade um “produto original”, em concorrência com o produto original dominante. No entanto, para isso há que dar um passo iniludível, que exige radicalismo e maduração: originalizar-se um próprio. Como diz o ditado popular, não se podem pescar trutas com as bragas enxutas.

Janeiro 2007

16/04/2009

O galego para quê?

Filed under: Em 2007,Língua Nacional — valentimrfagim @ 11:39 PM

Pardo Bazán, em 1878, tinha-o claro “Los dialectos nos parecen interesantísimos pero no podemos fantasear ni soñar su predominio en la conversación y en las letras, porque esto sería tanto como desandar lo andado, dividir nuestro arte, nuestra ciencia y en fin nuestra pátria. Los dialectos varios, exclusivos, son el feudalismo; el idioma nacional es la unidad, fundamento y gracioso concepto del Estado Moderno “

As pessoas, grupos e jornais que se desgarram com a taxa de 50% no ensino e barram a possibilidade de o “português” vir a ser a segunda língua estrangeira também o tenhem muito claro. Ora, são maus tempos para dizer as cousas claras e a apologia do linguicídio e do classismo linguístico, se público, é mal visto. É melhor trajá-lo de convivência, liberdade de expressão, praticidades e cousas do género.
Ora, a questão é só essa: qual a função social do galego (e portanto do espanhol) na Galiza?

a) Língua nacional

b) Dialecto regional (e portanto Substituição e Extinção).

Ora, são maus tempos para dizer as cousas claras.

Julho de 2007

Estran-

Filed under: Em 2007,Língua Nacional — valentimrfagim @ 1:35 AM

Uma das consequências de o espanhol se ter tornado a Língua da Galiza foi o estranhamento do galego para a cidadania galega. Em 1911, Eugénio Carré queixava-se amargamente de que “os restauradores da pureza do idioma era tachados de aportuguesados” e os acusadores preferiam fazer isso “antes de confessar a ignorância da língua dos seus pais”. Este lamento era proferido numa altura em que o galego era a língua oral da imensa maioria das pessoas e quando não era assim, era a língua dos progenitores. Existiam elos.

Como se sabe, hoje mudou o esquema. Nas cidades da costa, o contato que muitas pessoas podem ter com o galego é extremamente periférico, quer quantitativa quer qualitativamente, o que tem acelerado a sua estrangeirização. Sirvam duas mostras.

Recentemente numa carta ao director um pai postulava que o ensino do inglês, nas escolas, devia ser feito em inglês. Colocava como exemplo abonatório que as aulas de galego também decorriam em galego.

Num artigo de Xoan Costa este falava de uma amiga corunhesa que, na procura de convites para a comunhão da sua filha, deparou com que: a) em El Corte Inglés só os havia em espanhol. b) noutra empresa havê-los hai-nos, mas a tarifa é 3 vezes mais cara do que em espanhol mas exatamente a mesma que em… inglês.

A etimologia neste sentido é impiedosa. Extránèus ‘que é de fora; não pertencente a uma família; estrangeiro’

Junho 2007

Quanto mede um centímetro?

Filed under: Em 2007,Língua Nacional — valentimrfagim @ 1:22 AM

Grupo G: Aquelas pessoas que vivem o Galego como uma Língua.

Subgrupo G1: Recentemente veu a lume um Manual Galego de Língua e Estilo que bate o ponto e nos acautela naqueles aspectos onde nos deslizamos para o portunhol. Neste sentido é uma ferramenta imprescindível, original e única.

Subgrupo G2: Nas mesmas datas nasce a Associação Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa que servirá, entre outros aspetos, para inserir a Galiza “institucionalmente” na Lusofonia. Neste sentido é uma ferramenta imprescindível, original e única.

Estando os subgrupos G1 e G2 integrados em G, seria esperável que ambas as notícias provocassem o seu regozijo. E provável, além de desejável, que na maioria dos casos assim tenha sido, mas também é certo que existem integrantes de G1 a acharem que G2 nom é patriótico/nacional e membros de G2 a considerem que G1 é regional.

Quanto mede então um centímetro? Segundo a wikipédia, um centímetro é uma unidade de comprimento igual a 0,01 metros. Ao que parece isto é assim em cada um dos países do planeta Terra. Na Galiza, no entanto, às vezes um centímetro equivale a um quilómetro o que, especialmente com uma orografia tão acidentada como é a nossa, pode dar para não ver-se.

Dezembro 2007

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.