Valentim R. Fagim

18/01/2010

Convencer e vencer

Filed under: Em 2009,Língua Nacional — valentimrfagim @ 1:11 PM

O plano inicial era intitular o artigo de C.V e fazer um jogo de ideias com Currículo Vitae. Ora, como ainda lembrava as queixas do diagramador do NOVAS, Manuel Pintor, relativamente a tantos títulos com siglas (U+I ou I+U, I+P) simplesmente desistim. Seja dito de passagem que nom me ocorria nada ao respeito.

Convencer e vencer. O lingüista norte-americano George Lakoff tem advertido que umha das razons das derrotas eleitorais da esquerda derivam de umha fé: os eleitores votam em funçom dos programas eleitorais e das propostas específicas dos candidatos quando realmente as decisons baseiam-se «nos valores, a capacidade de transmitir, a autenticidade e a confiança». A deusa razom.

O reintegracionismo, tenha sido defendido por pessoas da ideologia que fosse, tem tido umha fé similar. Possuidores da razom, nom poucas vezes limitávamos a nossa acçom ao argumentário e ao debate, um debate compulsivo até. Lembre-se a atinada Lei do Berto: “A medida que umha discusom online em galego sobre qualquer tema avançar, a probabilidade de se mencionar o reintegracionismo/isolacionismo achega-se a 1”.

O esquema vem ser, mais ou menos, lançar umha enxurrada de argumentos e ficar à espera que algumha cousa aconteça. Às vezes acontece, dou fé, mas a paisagem continua mais ou menos na mesma.
Talvez chegasse o feliz momento de pensar menos em convencer e mais em vencer. E isto é outro filme.

Dezembro 2009

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22/12/2009

I + U ou U + I

Filed under: Em 2009,Língua Nacional — valentimrfagim @ 5:21 PM

A língua é, entre outras cousas, um produto colocado num mercado. Pola sua natureza de produto está chamada a concorrer com produtos similares, e mesmo que exista a possibilidade de nom gostares de esta perspectiva, o certo é que tu, como eu, como todos nós, vendemos o produto, dia sim, dia também. O simples facto de o utilizar em todos os âmbitos possíveis, mesmo naqueles em que nom é habitual, é já umha forma de marketing.

Tradicionalmente, a forma de vender o produto foi a sequência I + u. Vamos deixar o “u” em minúsculo para ser fiéis à realidade. IDENTIDADE + utilidade. Um dos slogans utilizados para promover o uso da nossa língua tem sido e ainda é: falemo-la porque é a nossa! Nom por acaso a palavra slogan procede de um grito de guerra gaélico -slaugh-ghairn- usado polos antigos clans para lutarem pela preservaçom do grupo.

Tá certo, o slogan tem o seu nicho de mercado. A mim valeu-me no seu dia. Ora, se formos sinceros, devíamos reconhecer que a maior parte do mercado nom liga assim muito para ele. Que se fai quando o cliente nom compra? Alguns publicistas dizem: dar-lhes a razom e depois matizar.

Assim sendo, o tal I nom é assim tam importante, o que dá jeito é o U, de UTILIDADE. Polo facto de seres galega, polo facto de seres galego, tens as portas abertas à umha língua presente em três continentes e à potência mundial em que se vai tornar o Brasil. O slogan pode ser: Só por nasceres onde nasceste. Todas gostamos dos presentes, nom é?.

Novembro 2009

28/11/2009

Expetativas

Filed under: Em 2009,Língua Nacional — valentimrfagim @ 12:46 PM

Entre 1968 e 1970, o antropólogo John U. Ogbu fijo um trabalho de campo em Stockon, Califórnia. O foco da investigação era o fracasso escolar dos negros num bairro multi-étnico. Para a classe média branca, a raiz do fracasso residia quer na pobreza cultural em que viviam estas comunidades, quer numa inferioridade intelectual intrínseca a elas.

Ora, o professor Ogbu tinha uma característica “intrínseca” que o fazia contornar estas análises: ele não era norte-americano mas nigeriano. Logo se apercebeu de o esquema não ser a negritude, já que os emigrantes africanos apresentavam um sucesso escolar inclusive maior que os brancos de classe média. O caso presente de Barack Obama ilustra bem isto.

Ele descobriu que os estudantes negros achavam que investir esforços na escola não prestava. Esta expetativa nascia do que lhes fora transmitido polos seus progenitores e a deles nutria-se, seja dito de passagem, das suas experiências vitais.

E agora, reconheçamo-lo, é difícil não fazer uma projeção sobre a Galiza e a sua língua. Eu não me resistiria.

A questão é de expectativas. Que esperam os pais galego-falantes que educam os seus filhos em castelhano? Quais as suas experiências?

Ou também, por que nos movimentos de naturalização do galego há uma percentagem enorme de neo-falantes? Por que eu, viguês, educado em castelhano, de pai castelhano, quando decido mudar de língua não tenho grandes atrancos em aderir à estratégia luso-brasileira enquanto outras pessoas amigas, mas de áreas rurais, “não-o-acabam-de-ver”.

E já para acabar (estou a exceder os 1.400 caracteres): quais as expectativas das elites galegas? Quais as expectativas das elites nacionais galegas para a nossa língua? Há algum nigeriano aí? Confio que sim.

Outubro 2009


15/10/2009

Questão técnica

Filed under: Em 2009,Língua Nacional — valentimrfagim @ 12:05 AM

(Telejornal fictício)

Jornalista: a conselharia de educação convocou os embaixadores de vários países a uma reunião. Cada um deles deve dar argumentos para o seu idioma se tornar a segunda língua estrangeira no nosso sistema educativo. Os técnicos decidiram que os países convidados fossem as potências emergentes, conhecidos no argot económico como os Bric: Brasil, Rússia, Índia e China.

Vai começar a roda de intervenções. O primeiro em discursar é o representante russo:
наша страна вызвана для того чтобы быть всемирным актером выдающееся положение. Это будет открыти двери для многочисленнGp хозяйственных, профессиональных и культурных отношений. Преобладать наш язык, поэтому, конкурентное преимущество в глобальном мире

A seguir, a embaixadora indiana:
हमारे देश को दुनिया की प्रमुखता के व्यापक अभिनेता होना कहा जाता है. यह कई आर्थिक, व्यावसायिक और सांस्कृतिक संबंधों के लिए दरवाजे खुल जाएगा. हमारी भाषा पर हावी है, इसलिए, एक वैश्विक दुनिया में एक प्रतियोगी लाभ.

Já agora, é a vez da representante chinesa: 我们的国家叫是突起的全世界演员。 这将许多经济,专业和文化关系的开门。 要控制我们的语言是,因此,在一个全球性世界的竞争优势

E para finalizar, o mandatário brasileiro: o nosso país está chamado a ser um ator mundial de destaque. Isto abrirá portas para numerosos relacionamentos económicos, profissionais e culturais. Dominar a nossa língua é, portanto, uma vantagem competitiva num mundo globalizado.

J.: Está connosco o conselheiro de educação. Que critérios se seguirão para tomar esta decisão?

C.: Os nossos critérios foram, são e serão sempre de índole técnica.

Setembro 2009

bric

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