Valentim R. Fagim

24/01/2011

Desculpa as gralhas

Filed under: Em 2010,Língua Nacional — valentimrfagim @ 11:18 AM

Umha das consequências de vivermos o mesmo sistema educativo com as mesmas programaçons (palavra, reconhecemos, pouco simpática) é que recebemos os mesmos guions. Guions de história, de economia, de política, de valores… e de língua, of course. Talvez tivéssemos a sorte de um docente transgressor, provavelmente nom mas, seja como for, o produto que nos vendêrom era: o galego é só dos galegos(as) e vale para o que vale.

Seja na adolescência, seja na maturidade, muitas pessoas tenhem descoberto que o tal guiom nom era assim mui verídico mas nem todas tenhem transformado esta descoberta da mesma forma.

Estám, por exemplo, os NON ESCRIBO PORQUE. Som pessoas que sentem algum tipo de culpabilidade (o cristianismo tem feito tanto mal) e ferve nelas a necessidade de nos darem explicaçons. É como quando um homem, com todos os -ismos da progressismo, afirma que vê pornografia para loguinho apontar que é por interesse antropológico (ainda sabendo que nom dá para acreditar).

Outra família som os DESCULPA AS GRALHAS. Estas pessoas já dérom o passo, levam uns meses a escrever mas diante de umha escrevedora experiente sentem certo embaraço. O que nom sabem é que quase todas escrevem muitíssimo melhor que um próprio na mesma altura vital, em grande medida porque a rede social dos reintegrantes cada vez é maior e tornou num ato, felizmente, cada vez menos heroico.

O que une ambas as famílias é que sabem, ou intuem, que a nossa língua transborda o guiom que nos desenharam no ensino secundário: nom é umha língua apenas para nós e apenas para certas cousas. O que

diferencia as NON ESCRIBO PORQUE e as DESCULPA AS GRALHAS é que estas últimas, ao mesmo tempo que escrevem, estám a redigir um novo GUIOM para Galiza.

Dezembro 2010

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12/12/2010

Chama-lhe X

Filed under: Em 2010,Língua Nacional — valentimrfagim @ 10:43 PM

As línguas tenhem o irritante hábito de as suas denominaçons ligarem para umha comunidade nacional : russo < Rússia, catalám < Catalunha ou polaco < Polónia. As exceçons som poucas e muitas entram na categoria das línguas artificiais com aspiraçons de serem transnacionais, caso do esperanto ou o volapük.

Acontece que na maioria das vezes as línguas nom som património de umha única naçom. Casos conhecidos som o do inglês, oficial em 53 países, o árabe em 29 países ou o francês, em 23 países. Isto poderia vir a criar a complicaçom de como as denominar: inglês, norte-americano, australiano, neozelandês..?. No entanto, as dúvidas ao respeito som poucas e países imensos como os EUA ou o Brasil denominam a língua nacional como inglês e português.

Os conflitos parecem surgir em contextos onde nom está claro as línguas serem compartilhadas. Quer dizer, perante a pergunta: e quem fala a língua que eu falo? As respostas nom som homogéneas. Ocorre-me já agora os casos do catalám-valenciano, sérvio-croata-bósnio-montenegrino ou o… português-galego.

Neste ponto é onde se vê com nitidez o poder simbólico das palavras. Outra sorte teríamos se utilizássemos outro sistema denominativo:

X nasceu na idade média num espaço que incluía territórios a norte e sul do rio Minho. A norte, a variante XG ficou reduzida a funçons periféricas pola irrupçom de Y enquanto XP, polo contrário, tornou-se língua nacional e deu lugar a outras variantes: XB, XA, XM… Hoje, X é oficial em 9 países e tem 230 milhons de falantes.

De que língua estamos a falar?
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Novembro 2010

20/10/2010

Esconder a barriga

Filed under: Em 2010,Língua Nacional — valentimrfagim @ 1:12 PM

Umha das imagens que me ficou gravada dos desenhos animados que via na infância é umha cena da abelha Maia. Vili, seu amigom molengom, fizera umha travessura e, prestes a ser apanhado pola professora Kasandra, escondera-se. Ocultou-se atrás de umha coluna estreita e ficou a olhar para a parede a pensar: se eu nom os vejo, eles nom me podem ver. Como lembraredes, Vili era grosso e o seu corpo naturalmente sobressaía nitidamente da coluna.

Uma das constantes do galeguismo hegemónico na atualidade é precisamente ocultar, no seu caso, o castelhano e o português. O do português já sabemos como é: 27 gerações de alunas e alunas a estudarem galego na escola para saírem dela sem saber que a língua de Portugal e do Brasil também é sua. Creio que nom é preciso indicar a revalorizaçom da nossa língua e da própria matéria escolar se se oferecesse o sabor lusitano e brasileiro do galego. Algum dia terám que explicar-nos as bondades desta estratégia e nom o vam ter fácil.

O do castelhano tem um esquema diferente mas resume-se em: eu nom vejo a presença do castelhano no galego, portanto a minha língua está livre de quaisquer interferências. O interessante é ser precisamente a ocultaçom do português o que nom permite detetar o muito castelhano que há nas nossas falas e escritas. Ora, é tam fácil de ver como a barriga do Vili. Para isso é preciso dominar o galego de Portugal e do Brasil, porque são as variedades que ficaram livres da interferência profunda do castelhano essencialmente porque tinham e tenhem… estado. Reconheçamos, no entanto, que olhar para a parede também tem as suas vantagens.

Setembro 2010

21/06/2010

INPUT, OUTPUT e naufrágios

Filed under: Em 2010,Língua Nacional — valentimrfagim @ 11:20 AM

No prazo de umha semana presenciei duas vezes umha cena ilustrativa. umha galega recriminava a um brasileiro que usasse um castelhanismo, num caso era a palavra Teléfono e no outro Venres. Em mim, havia umha parte que aplaudia esse toque de atençom e umha outra que sentia que era umha acçom náufraga, solitária. É interessante notar que nom eram quaisquer brasucas mas essa raça maravilhosa de Brasilegos que moram connosco e movem-se com galegos e galegas que vivem a nossa língua como sendo extensa e útil.

Quando falamos de aprendizagem de línguas, usamos as expressões Input e Output. Input é tudo aquilo que recebemos, tudo o que lemos e escutamos. Output é tudo o que produzimos, tudo o que falamos e escrevemos.

De isto nom escapam nem galegos nem galegas nem outros lusófonos e lusófonas. O jogador brasileiro do Desportivo que se instala na Corunha rapidamente pega qual a língua da Galiza, nom a emotiva, nem a cronologicamente primeira, mas a língua ambiental, a língua a sério. Nom é preciso muito Input, basta com ler o contrato.

Os brasilegos e as brasilegas tenhem várias redes sociais e na maior parte delas nom há output de telefones e sextas-feiras. De facto, o output que oferecemos a sociedade galega caracteriza-se, como sabemos, por um elevado índice de castelhanizaçom.

Outra raça maravilhosa cada vez mais comum, som as pessoas que querem ter um Output o mais genuíno possível. Investem umha importante energia nesta tarefa e até pedem para serem corrigidas.

Se o grosso das nossas redes sociais se expressam em castelhano ou em galego com Output castelhanizado, a tarefa torna-se mui difícil, diria que naúfraga. A única forma de superar a síndrome Robinson Crusoe é integrar-se em redes com um Output genuíno: locais sociais, convidar determinados amigos/as ao facebook, o Novas, o PGL, Diário Liberdade, sites tugas e brasucas, cidadaos e cidadás lusófonas… enfim, a única forma de nom naufragar é… navegar diferente.

Maio, 2010

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